19/10/2020 às 13h53min - Atualizada em 19/10/2020 às 13h53min

Protesto pela volta às aulas presencais

Mobilização reuniu cerca de 300 pessoas no pontal Norte, em BC. Em Itajaí, a carreata finalizou na avenida Beira Rio

Diarinho
Grupo fez caminhada e ato com cartazes pela reabertura das escolas

A faixa de areia do pontal Norte, em Balneário Camboriú, foi ocupada na manhã de domingo por grupos de famílias que reivindicaram o retorno das aulas nas redes particular e pública, principalmente nos ensinos infantil e fundamental. A mobilização foi chamada pelas redes sociais e reuniu mais de 300 pessoas, entre pais, mães, alunos e professores.  Em Itajaí, o protesto foi em forma de carreata, na tarde de domingo, finalizando numa concentração na avenida Beira Rio.

Em BC o grupo tomou o trecho da praia em frente ao hotel Marambaia, onde houve um ato com as crianças, cartazes, balões e fumaça colorida, enquanto os pais formaram um grande círculo. Depois, todos saíram em caminhada pela praia até o posto de guarda-vidas. Os cartazes foram colocados na areia mostrando todas as mensagens em defesa da retomada das aulas e da educação como prioridade.

 

O objetivo do grupo foi chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas famílias diante da suspensão de creches e escolas. Os pais entendem que não há mais sentido em manter as unidades fechadas, sendo que diversas outras atividades e locais públicos, como praias e parques, estão abertos e com grande movimentação.

De acordo com a empresária Joana Bogoni Ribeiro, de 43 anos, mãe de dois filhos, de seis e 11 anos, o retorno não precisa ser obrigatório. “Deveria ser liberado pra quem quiser ir, com os pais tendo essa opção. Se a mãe não se sente à vontade [pra mandar o filho], a aula pode ser transmitida online”, considera.

 

Devido ao fechamento das escolas, Joana teve que deixar os filhos sob os cuidados dos avós. Ela conta que os pequenos tiveram problemas no estômago e psicológicos devido ao tempo afastados da escola. “É muito complicado manter eles trancados em casa. O convívio com outras crianças é muito importante”, destaca.

Para Marisa Marili Svoboda Idalêncio, de 52 anos, o governo tem a obrigação de reabrir as escolas porque a educação é um direito das crianças previsto no estatuto da Criança e do Adolescente. Marisa tem duas netas, uma de três e outra de seis anos, aluna especial de uma creche particular de Balneário. A menina está sendo cuidada por uma profissional contratada, já que a creche está fechada. “A escola faz uma falta imensa. Ela está sofrendo uma violação de direitos”, afirma.

Segundo a moradora, a manutenção do fechamento das escolas por mais tempo vai gerar mais evasão escolar, aprofundando o desinteresse dos alunos pelas aulas. A professora Andrea Camila Garcia, 38 anos, da escola Quintal Mágico, destaca que o afastamento das crianças das escolas gera impactos psicológicos e provoca doenças como depressão e gastrite.

 

“Temos que inserir essas crianças nas escolas. O brincar, o conviver é essencial para elas”, observa. Conforme a professora, apesar de o ano letivo estar quase terminando, ainda é válida a retomada das aulas presenciais para minimizar os efeitos sobre as crianças e famílias. “O mais importante é a socialização das crianças com os amigos”, completa.

Os participantes da manifestação seguem mobilizados pela volta às aulas.  Outras iniciativas, como um abaixo-assinado, estão sendo discutidas.

Carreata com dezenas pelas ruas de Itajaí

 

Uma carreata com buzinaço, balões brancos e cartazes pediu o retorno das aulas presenciais, também, em Itajaí. Cerca de 100 carros participaram do movimento para pressionar as autoridades para que aconteça a retomada do ensino presencial ainda em 2020.

Os carros se reuniram no estacionamento do Centreventos e de lá partiram pela rua Camboriú, até chegar à praça Genésio Miranda Lins, a Beira Rio.

Um carro de som seguia na frente com mensagens  falando da importância da volta às aulas, levando em conta que os pais precisam trabalhar e as crianças estão doentes, com crises de ansiedade e precisando já de médico.

 

Cartazes com frases como “educação, direito essencial”, “educação é essencial” e “se meu filho não pode ir à aula na escola, eu não posso ir à escola votar” foram exibidas pelos veículos.

Algumas pessoas que estavam na Beira Rio foram pegas de surpresa pela carreata. “Eu não sabia, fiquei sabendo agora, mas apoio muito”, disse a vendedora Ana Karolina Miranda, 25 anos. Ela tem um filho de nove anos que estuda no Caic, no bairro Cidade Nova, e conta com a avó da criança para cuidá-lo. A avó ainda cuida de outras crianças, de três, cinco e sete anos, para outras mães trabalharem. “A minha mãe está ajudando, mas quando ela não pode, eu falto ao trabalho para cuidar do meu filho”, conta.

Outro senhor que estava na praça se disse contrário ao retorno presencial. Ele alegou que já está no fim do ano e diz que  não vê a necessidade do retorno agora. “Deveriam começar as aulas mais cedo no ano que vem”, sugeriu, sem informar o nome à reportagem.

No grupo criado no Instagram para divulgar a carreata, o retorno presencial das aulas também dividiu opiniões. “A educação merece respeito!!! Serviço essencial!! As crianças não podem pagar pela ganância dos maus governantes!! Lugar se criança é na escola!!!!”, escreveu uma internauta.

“Pelo direito de levar nossos filhos à escola. Movimento de pais a favor da liberdade de escolha. Educação é direito básico, essencial!”, dizia outra postagem, que foi rebatida por alguns pais.

“Que direito foi tirado? Obedecer um decreto estadual para proteger seu filho? Quanta ignorância e egoísmo! Acham que escola é depósito? Preferem correr o risco de terem filhos doentes, do que cuidar deles em casa? Tem família e escola que só pensam no dinheiro…”, rebateu outra internauta.

Carros buzinando, balões e cartazes pela praça da Beira Rio

Critérios para a liberação

Pelas normas estaduais, só poderão retomar atividades presenciais as escolas que tenham o plano de contingência aprovado pelas prefeituras e que sejam de municípios com classificação alta ou moderada no mapa de risco pra covid em Santa Catarina. A maior parte das regiões, contudo,  segue em risco grave no estado, incluindo a foz do Rio Itajaí.

Com a situação grave, o planejamento de retomada de escolas particulares e estaduais permanece proibido na região. Na rede municipal, as prefeituras da Amfri já decidiram que as aulas não voltam mais nesse ano.

Os estudantes continuam sendo atendidos com atividades pela internet. O plano de educação prevê que as aulas online sejam mantidas mesmo nos locais onde as atividades presenciais forem liberadas.

Na rede estadual, a secretaria de Educação ainda não confirmou se alguma escola conseguiu liberação nas regiões permitidas. Um levantamento está sendo feito pra conferir quem está em condições de retomar nos próximos dias. Mesmo assim, a volta será só com aulas de reforço e de forma gradual, começando pelos alunos do 3º ano do ensino médio.


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